quinta-feira, novembro 30, 2006

Adoro-te Mãe!


Numa sala distante e vazia,
Sozinha estou.
Tenho lápis e papel,
Pego no lápis e escrevo.
Escrevo palavras,
Palavras que gostava de te dizer,
Palavras cujo significado sinto
Sinto por ti.
Essas palavras lindas,
Essas palavras.
Ah! Como gostava de tas dizer:
Amor, Carinho, Amizade,
Respeito...
É o que sinto quando estou contigo
Numa sala distante e vazia, sozinha estou.
Tenho lápis e papel,
Pego no lápis e escrevo
Escrevo a maior de todas as palavras,
Escrevo MÃE.
Mãe?! Mas fica muito vago
Lembro-me então de algo melhor
No outro lado da folha escrevo:
AMOR DE MÃE.
Passaram horas infinitas
e não me cansei de olhar para o papel
não me canso porque sei que estou protegida
protegida com o teu Amor,
Amor de Mãe.



[Text written 3 years ago]

sábado, novembro 25, 2006

[Filosofia barata às 2h da matina]

Eu não vivo. Revivo. O presente anda comigo, eu que ando de mãos dadas com o passado e me esqueço de abraçar o presente. O passado fica para trás mas acabo por abandonar o presente. É o primeiro que não deixo morrer, ficando o segundo à beira da morte. Será doença viver o presente no passado? E reviver o passado sem dar conta do presente? E só se aperceber do presente quando ele fizer parte do passado?
Vou revivendo todos os dias que deixei para trás quando me deitei. E ao acordar, fisicamente no dia 2, matuto sistematicamente no dia 1. É uma elegia da minha vida, revivida na primeira pessoa. Porque um dia marca, um dia fica. Um dia que passa mas que continua lá. E outros virão e passarão, mas aquele não desiste. E eu perco todos os outros, porque aquele ocupa espaço.
E quando esses outros deixarem de ser, ficarão também eles marcados. Uma vida vivida no passado, continuamente. Alimento-me não da felicidade ou da tristeza, mas das memórias. São elas que marcam a minha existência.
E assim vivendo, continuo presa ao passado, que acaba por permanecer presente, já que o não deixo adormecer. Presente que acorda todos os dias, deixo-o no silêncio, porque o passado (que quer dormir) fala mais alto. E é ele quem oiço. É a ele que obedeço. É por causa dele que não tiro proveito do meu presente.
Mais uma vez digo: Eu não vivo, revivo.
*

terça-feira, novembro 21, 2006

Amanhã que começou sem ela

E contudo ela não queria sair dali. Afinal de contas aquela era e sempre fora a sua única casa. Há coisas às quais tem de se ter uma certa fidelidade!
~Um novo emprego do pai exigia-lhes viver noutra cidade, um mundo totalmente desconhecido. Ela era jovem e apesar disso, ou talvez por essa razão, a mudança soava-lhe a perigo, a medos. Não. Tinha a certeza que não queria.
~Foi para o quarto. Da sua colecção organizada de vinte CD's, o sétimo era o seu preferido e a faixa três rompia agora o silêncio daquele espaço minimalista, fundindo-se com os seus pensamentos, que tão depressa se desvaneciam, ao mesmo tempo que a imaginação ensaiava contos de fadas modernos. E contudo ela permanecia sentada no chão, entre a cama e o roupeiro, por baixo do parapeito da janela, a única que iluminava aquela área tão vastamente fria.
~Um novo emprego, uma nova casa, uma nova cidade proporcionar-lhe-iam uma nova vida. um quarto mais juvenil, igual a tantos outros comprados por catálogo. Esse novo quarto encher-se-ia de CD's e inundar-se-ia de boa música, óptima para os ouvidos e para o coração, certamente apaixonado, que esta idade não perdoa.
~Mas mesmo assim, esse novo quarto, cuja porta se lhe abriria e de lá uma nova vida nasceria não eram motivos suficientes e a sua convicção permanecia tão sólida como as paredes daquela casa. Era a casa da avó paterna. A sua casa. A única que conhecera. Uma casa tão diferente das outras, agora feitas em série. Não tinham vida. E ela não queria ser como os outros jovens, nem dormir num quarto como os seus, nem tão pouco viver numa casa igual. Ela queria apenas ser ela e viver naquela casa com cheiro a alfazema e com decoração típica de avó. Ela queria continuar a dormir na sua cama de ferro, no quarto com mobília branca que se perdia no atulhado de recordações ali encafuadas, o que outrora havia sido a arrecadação.
~Nunca conhecera a mamã, mas a fotografia por cima da cómoda, com moldura dourada, parecia ter uma presença tão forte, como se ela ali sempre estivesse. E continuava sentada no chão frio, mosaico escolhido pelo avô (que Deus o guarde).
~Bateram à porta e o pai entrou. Não podia recusar o emprego, que lhe traria novas oportunidades de vida, mas também não podia tirar a sua menina daquilo que considerava verdadeiramente seu e onde se sentia bem e verdadeira.
~E lá foi o papá. De joelhos na cama e encostada ao parapeito da janela, no primeiro andar, ela acenava. Só não sabia bem se contente ou triste, afinal, tinha sido uma decisão sua. Não abdicou da sua vida simples e pacata, mas sua, tendo por isso visto o pai partir rumo a uma nova vida.

Mas será uma vida melhor, aquela que é vivida longe dos que se ama? E contudo, ela não quis sair dali.

sexta-feira, novembro 17, 2006
















Tentei calar a vontade
Com sussurros de ardor selvagem
Que ardentemente aspirava
À liberdade.

Olhares indiscretos e a consciência constrangida
Conjugaram-se livremente
E aprisionaram a vontade
Tão espontânea era,
que forçada se tornou.

Forçosamente me consumiu.

Tentei libertar a vontade,
E libertar-me dela.
Mas em vão.

Era tão selvagem
Que o Superego dela se apoderou.
Corria velozmente,
Tão liberta,
tão centenária,
Tão livre, tão pesada...

Vontade que não cessa.

E eu aqui,
impotente,
vivendo esta vontade
Com vontade de a viver.

Tentei calar a vontade
Confrontá-la,
Mas recusa-se a parar.

Vontade que se me apodera
Me leva e seduz.
Quero vivê-la,
Louca, selvagem,
Essa vontade...

Diana Calado

sábado, novembro 11, 2006

Can You Whisper Louder Than Me?