sábado, novembro 25, 2006

[Filosofia barata às 2h da matina]

Eu não vivo. Revivo. O presente anda comigo, eu que ando de mãos dadas com o passado e me esqueço de abraçar o presente. O passado fica para trás mas acabo por abandonar o presente. É o primeiro que não deixo morrer, ficando o segundo à beira da morte. Será doença viver o presente no passado? E reviver o passado sem dar conta do presente? E só se aperceber do presente quando ele fizer parte do passado?
Vou revivendo todos os dias que deixei para trás quando me deitei. E ao acordar, fisicamente no dia 2, matuto sistematicamente no dia 1. É uma elegia da minha vida, revivida na primeira pessoa. Porque um dia marca, um dia fica. Um dia que passa mas que continua lá. E outros virão e passarão, mas aquele não desiste. E eu perco todos os outros, porque aquele ocupa espaço.
E quando esses outros deixarem de ser, ficarão também eles marcados. Uma vida vivida no passado, continuamente. Alimento-me não da felicidade ou da tristeza, mas das memórias. São elas que marcam a minha existência.
E assim vivendo, continuo presa ao passado, que acaba por permanecer presente, já que o não deixo adormecer. Presente que acorda todos os dias, deixo-o no silêncio, porque o passado (que quer dormir) fala mais alto. E é ele quem oiço. É a ele que obedeço. É por causa dele que não tiro proveito do meu presente.
Mais uma vez digo: Eu não vivo, revivo.
*

Um comentário:

Diana disse...

Revivemos todos de qualquer maneira, somos sempre o presente mais as memórias... mas vive, vive mais! Um bj da outra diana de CC :P